terça-feira, abril 04, 2006

Cardeal Stanislaw Dziwisz narra as últimas palavras de João Paulo II

"Deixem-me ir para a casa do Pai"
A profunda união de João Paulo II com Deus e sua participação no mistério pascal revelaram-se com toda sua plenitude nos últimos dias de sua vida. O corpo debilitava-se cada vez mais, mas permaneceu forte no espírito e «amando até o final» (João 13, 1). Pela primeira vez, o Papa não pôde presidir os ritos do Tríduo Pascal. «Estou espiritualmente convosco no Coliseu», escreveu na Sexta-Feira Santa na mensagem destinada a todos que participavam da Via Crucis, e acrescentou: «A adoração da Cruz convida-nos a um compromisso do qual não podemos nos esquivar: a missão que São Paulo expressava com as palavras ‘completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo, em favor de seu Corpo, que é a Igreja’ (Colossenses 1, 24). Eu também ofereço meus sofrimentos para que o projeto de Deus realize-se e sua palavra caminhe entre as pessoas». Estava sentado ante o altar de sua capela privada, acompanhava a celebração em um monitor de televisão e orava. Na XIV estação, tomou em suas mãos o Crucifixo e o trouxe ao rosto marcado pelo sofrimento, como se quisesse dizer como Pedro: «Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo» (João 21, 17). O amor de Cristo, mais forte que a morte, confortava-lhe no espírito e ele gostaria de expressá-lo no Domingo de Ressurreição, quando ao meio-dia apareceu na janela para dar a benção Urbi et Orbi. Por causa da comoção e do sofrimento, contudo não conseguiu pronunciar as palavras; fez só o sinal da Cruz com a mão e com um gesto respondeu às saudações dos fiéis. Este gesto de impotência, de sofrimento e de amor paterno, como também aquele comovedor silêncio do sucessor de Pedro, deixou uma marca indelével nos corações dos homens de todo o mundo. Também o Santo Padre foi turbado profundamente por este acontecimento. Após ter-se afastado da janela, disse: «Talvez seria melhor que morresse, se não posso cumprir a missão a mim confiada», e imediatamente acrescentou: «Que se faça Tua vontade... Totus tuus». Em sua vida não havia desejado outra coisa. Não temia a morte. Durante toda a vida havia tido Cristo como guia e sabia que ia a Ele. Durante as celebrações do Grande Jubileu do ano 2000, escreveu em seu testamento: «Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo queira. ‘Se vivemos, para o Senhor vivemos; e se morremos, para o Senhor morremos... do Senhor somos’ (Romanos 14, 8)». Havia sido sempre profundamente consciente de que o homem, ao término da peregrinação terrena, não está condenado a cair nas trevas, em um vazio existencial ou no abismo do nada, mas que é chamado ao encontro com o melhor dos pais, o qual acolhe amorosamente entre seus braços o próprio filho, para dar-lhe a plenitude de vida na Trindade Santíssima. Sabendo que para ele estava aproximando o tempo de passar à eternidade, de acordo com os médicos havia decidido não ir ao hospital, mas permanecer no Vaticano, onde tinha assegurado os cuidados médicos indispensáveis. Queria sofrer e morrer em sua casa, ficando junto ao túmulo do apóstolo Pedro. O último dia de sua vida --no sábado 2 de abril-- despediu-se de seus mais próximos colaboradores da Cúria Romana. Junto a sua cabeceira continuava a oração, da qual participava, apesar da elevada febre e de uma debilidade extrema. Pela tarde, em certo momento, disse: «Deixai-me ir à casa do Pai». in Agencia Zenit, adaptado

A Fé que Moveu Montanhas

Bento XVI lembrou esta tarde a “fé sólida e franca” de João Paulo II, perante milhares de fiéis reunidos no Vaticano para a celebração da Missa em sufrágio do falecido Papa.“Quem teve oportunidade de contactar de perto com ele, pôde quase tocar com a mão a sua fé sólida e franca”, reconheceu o Papa, para quem o pontificado de João Paulo II exerceu uma “influência benéfica em toda a Igreja, num crescendo que atingiu o seu auge nos últimos meses e dias da sua vida”.“Uma fé convicta, forte e autêntica, livre de medos e compromissos, que contagiou o coração de tantas pessoas, graças também às numerosas peregrinações apostólicas para todas as parte do mundo e, em especial, a sua última viagem, que foi a sua agonia e a sua morte”, acrescentou.Bento XVI falou ainda na devoção mariana e da “dimensão sacrificial” do pontificado do seu predecessor, considerando que todos os acontecimentos do ano passado devem ser lidos a essa luz. “João Paulo II ofereceu a Deus e à Igreja a sua existência, vivendo a dimensão sacrificial do seu sacerdócio de uma forma especial na celebração da Eucaristia”, indicou.Em conclusão, o Papa pediu aos peregrinos que, ao recordar os momentos de emoção vividos há um ano, “Olhem em frente, sentindo ressoar na alma os repetidos convites de João Paulo II a avançar sem medo no caminho da fidelidade ao Evangelho, para ser arautos e testemunhas de Cristo no terceiro milénio”. in agencia ecclesia, adaptado

O Papa e os Jovens, França - 1980

Dou-vos graças por este encontro organizado como uma espécie de diálogo. Vós quisestes falar com o Papa. O que é muito importante por duas razões.
A primeira, porque este modo de atuar nos traslada diretamente a Cristo; n’Ele desenvolve-se constantemente um diálogo, uma conversação de Deus com o homem e do homem com Deus.
Cristo -como ouvistes- é o Verbo, a Palavra de Deus. É o Verbo eterno. Este Verbo de Deus, como o homem, não é a palavra de um "grande monólogo", mas é a Palavra do "diálogo incessante" que se realiza no Espírito Santo. Sei que esta frase é difícil de compreender, mas eu a digo igualmente e as deixo para que as mediteis. Não celebramos nesta manhã o mistério da Santíssima Trindade?
A segunda razão é esta: o diálogo responde à minha convicção pessoal de que ser o servidor do Verbo, da Palavra, quer dizer "anunciar" no sentido de "responder". Para responder convém conhecer as perguntas. Por isso está bem que as tenhais lançado; de outra forma eu teria que adivinhá-las para falar-vos, para responder-vos.
Cheguei a esta convicção não somente por causa da minha antiga experiência como professor da cátedra ou dos grupos de trabalho, mas principalmente através de minha experiência de pregador; nas homilias ou durante os retiros espirituais. E a maioria das vezes eu me dirigia aos jovens; era aos jovens os que eu ajudava a encontrar o Senhor, a escutá-lo e também a respondê-lo.
Quem é Jesus Cristo?
Vossa pergunta central refere-se a Jesus Cristo. Quereis ouvir-me falar de Jesus e me perguntais quem é para mim, Jesus Cristo.
Permiti-me que eu vos devolva a mesma pergunta e vos diga: para vós, quem é Jesus Cristo? Desse modo, e sem evadir a questão, vos darei também minha resposta, dizendo o que é para mim.
O Evangelho inteiro é o diálogo com o homem, as diversas gerações, com as nações, com as diversas tradições..., mas sempre e continuamente um diálogo com o homem, com cada homem, um, único, absolutamente singular.
Ao mesmo tempo, há muitos diálogos no Evangelho. Entre eles, considero especialmente eloqüente o diálogo de Cristo com o jovem rico.
Lerei-vos o texto, porque talvez nem todos vós recordais muito bem. É o capítulo 19 do evangelho de Mateus.
"Aproximou-se dele um jovem e disse: 'Mestre, o que devo fazer de bom para alcançar a vida eterna?' Ele disse: 'Por que me perguntas sobre o bom? Uma única coisa é boa: Se quiseres entrar na vida, observa os mandamentos'. Disse-lhe: Quais? Jesus respondeu: 'Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e ama o próximo como a ti mesmo'. Disse-lhe o jovem: 'tudo isto tenho observado. O que ainda me falta? Jesus respondeu: 'Se quiseres ser perfeito vai, vende tudo o que tens, dai aos pobres e terás um tesouro nos céus, e vem e segue-me'. Ao ouvir isto o jovem se afastou entristecido porque tinha muitos bens".
Por que Cristo dialoga com este jovem? A resposta está no texto evangélico. E vós me perguntais por que eu, em todos os lugares aonde vou, quero me encontrar com os jovens.
Respondo: porque "o jovem" significa o homem que, de maneira especial, de maneira decisiva; está em fase de "formação". Isso não quer dizer que o homem não esteja em formação durante toda sua vida; dizemos que "a educação começa mesmo antes do nascimento" e dura até o último dia. Entretanto, a juventude, desde o ponto de vista da formação, é um período especialmente importante, rico e decisivo. E se refletirdes sobre o diálogo de Cristo com o jovem rico encontrareis a confirmação do que acabo de dizer.
As perguntas de ser jovem são essenciais. As respostas também o são.
O Evangelho e os problemas de hoje
Essas perguntas e essas respostas não são essenciais somente para o jovem em questão, importantes por sua situação de então; são igualmente de primeira importância e essenciais para o tempo atual. Por isso, à questão de saber se o Evangelho pode responder aos problemas dos homens de hoje, respondo: não somente "é capaz disso, como deve ir mais longe; só o Evangelho dá uma resposta total, que vai completamente até o fundo das coisas".
Disse no começo que Cristo é o Verbo, a Palavra de um diálogo incessante. Ele é o diálogo, o diálogo com todo homem, embora alguns não se apresentem a ele, nem todos saibam como levá-lo adiante, e há até mesmo aqueles que rejeitam explicitamente esse diálogo. Afastam-se... e, contudo..., talvez esse diálogo continue se estabelecendo entre eles. Estou convencido de que é assim. Mais de uma vez esse diálogo "se desvela" de modo inesperado e surpreendente.
O contato com os homens de estado
Retomo também vossa pergunta com a que quereis saber por que, nos diversos países onde vou, e também em Roma, falo com os diversos Chefes de Estado.
Simplesmente, porque Cristo fala com todos os homens, com todo homem. Por outro lado, penso que –não duvideis- não há menos coisas a dizer aos homens que têm grandes responsabilidades sociais que ao jovem do Evangelho, e que a cada um de vós.
A vossa pergunta sobre o tema de minhas conversas com os Chefes de Estado, responderei que eu lhes falo na maioria das vezes precisamente dos jovens. Não por acaso, da juventude depende "o dia de amanhã". Estas últimas palavras estão tiradas de uma canção que os jovens poloneses de vossa idade cantam freqüentemente: "De nós depende o dia de amanhã. Eu também a cantei mais de uma vez com eles. Por outro lado, sempre gostei muito de cantar canções com os jovens, pela música e pelas palavras. Evoco esta lembrança porque me fizestes perguntas sobre minha pátria; mas para responder a isso, teria que falar-vos mais detidamente.
A Igreja é una e Universal
Evidentemente esta pergunta é mais ampla e vai muito além de quanto acabo de dizer sobre a Igreja na França ou na Polônia. Com efeito, uma e outra são "ocidentais", já que pertencem ao mesmo âmbito da cultura européia e latina, mas minha resposta será a mesma. Por sua natureza, a Igreja é una e universal. Chega a ser Igreja de cada nação, ou dos continentes, ou das raças, por causa e na medida em que essas sociedades aceitam o Evangelho e fazem dele, por assim dizer, propriedade sua. Estive recentemente na África. Tudo indica que as jovens Igrejas desse continente tem plena consciência de ser africanas. E aspiram conscientemente a vincular o cristianismo com as tradições de suas culturas. Na Ásia, e principalmente no Extremo Oriente, acredita-se que o cristianismo é a religião "ocidental", e, entretanto, eu não duvido de que as Igrejas ali estabelecidas sejam Igrejas "asiáticas".
A felicidade no mundo de hoje
O jovem do Evangelho pergunta: "Senhor o que devo fazer para alcançar a vida eterna?" (Mt. 19, 16).
E agora vós fazeis esta pergunta: É possível ser feliz no mundo de hoje?
Em verdade fazeis a mesma pergunta do jovem! Cristo responde -a ele e também a vós, a cada um de vós-: Sim, é possível. Isto é, com efeito, o que responde, embora suas palavras sejam aquelas: "Se quiseres entrar na vida eterna, observa os mandamentos" (Mt. 19, 17) E responderá também mais adiante: "Se quiseres ser perfeito, vende tudo o que tens, daí aos pobres, vem e segue-me" (cf. Mt. 19, 21)
Estas palavras significam que o homem não pode ser feliz mais do que na medida em que é capaz de aceitar as exigências de sua própria humanidade, sua dignidade de homem, as exigências que Deus lhe pede.
As exigências de ordem moral
Assim, Cristo não responde somente à pergunta se é possível ser feliz, mas diz também como é possível ser feliz, em que condições. Esta resposta é totalmente original e não pode ser superada; nem pode perde sua vigência. Deveis refletir muito sobre ela e adaptá-la a vós mesmos. A resposta de Cristo compreende duas partes. Na primeira, trata-se de observar os mandamentos. E aqui, eu faria uma digressão motivada por uma de vossas perguntas sobre os princípios que a Igreja ensina no terreno da moral sexual. Expusestes vossa preocupação ao ver que são difíceis e que os jovens poderiam, precisamente por esta razão, afastar-se da Igreja. E eu vos respondo: se pensardes nesta questão seriamente e irdes ao fundo do problema, vos asseguro que vos dareis conta de uma única coisa: neste terreno, a Igreja propõe apenas as exigências que estão estreitamente ligadas ao amor matrimonial e conjugal verdadeiro, quer dizer, responsável. Exige o que requer a dignidade da pessoa e a ordem social fundamental. Eu não nego que haja exigências. Mas é justamente aí que está o ponto chave do problema: o homem se realiza somente na medida em que sabe impor a si mesmo essas exigências. Caso contrário, afasta-se "entristecido", como acabamos de ler no Evangelho. A permissividade moral não torna os homens felizes. A sociedade de consumo não torna os homens felizes. Não o fizeram jamais.
A vocação cristã
No diálogo de Cristo com o jovem, há, como disse, duas fases. Na primeira, trata-se dos mandamentos do Decálogo, quer dizer, as exigências fundamentais de toda moralidade humana. Na segunda, Cristo diz: "Se quiseres ser perfeito... vem e segue-me" (Mt. 19, 21)
Este "vem e segue-me" é um ponto central e culminante de todo este episódio. Essas palavras indicam que não se pode aprender o cristianismo como uma lição composta de vários e diversos capítulos, mas que está ligado sempre a uma Pessoa, com uma pessoa vivente: com Jesus Cristo. Jesus Cristo é o guia, é o modelo. Pode ser imitado de diversos modos e em diversa medida, fazer d’ Ele a "regra" da própria vida.
Cada um de nós é como um "material" particular do qual se pode -seguindo a Cristo- obter certa forma concreta, única e absolutamente singular da vida, que pode ser chamada vocação cristã. Sobre este ponto muitas coisas foram dias no último Concilio, no que se refere à vocação dos leigos.
A vocação sacerdotal ou religiosa
Fizestes outra pergunta sobre minha própria vocação sacerdotal. Tentarei responder-vos brevemente, seguindo a linha de vossa pergunta. Direi resumidamente: faz dois anos que sou Papa e faz mais de vinte anos que sou bispo, e, contudo, para mim continua sendo o mais importante o fato de ser sacerdote. O fato de poder diariamente celebrar a Eucaristia, de poder renovar o próprio sacrifício de Cristo, oferecendo nele todas as coisas ao Pai: o mundo, a humanidade, eu mesmo. Nisso, certamente, consiste a justa dimensão da Eucaristia. Por isso também tenho presente em minha pessoa esse desenvolvimento interior, mediante o qual "eu ouvi" o chamado de Cristo ao sacerdócio, esse especial "vem e segue-me".
Ao confiar-vos estas coisas, exorto a cada um e cada uma de vós, a prestardes muita atenção a essas palavras evangélicas. Com isso irá se formar até o fundo de vossa humanidade e irá se definir a vocação cristã de cada um de vós. E, quem sabe, por vossa parte, ouvireis também o chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa. A França, até pouco tempo atrás, era rica em vocações. Deu, entre outras coisas, à Igreja muitos missionários e muitas religiosas missionárias. Certamente Cristo continua falando nas areias no Sena e dirige sempre o mesmo chamado. Escutai atentamente. Convém que na igreja nunca faltem aqueles que "foram escolhidos dentre os homens", aos quais Cristo estabelece de modo especial, "para o bem dos homens" (Hb. 5, 1) e envia aos homens.
A oração
Fizestes também uma pergunta sobre a oração. A oração pode ser definida de muitas maneiras. Mas a mais freqüente é chamá-la de diálogo, uma conversa, um entreter-se com Deus. Ao conversar com alguém não somente falamos, mas também escutamos. A oração, portanto, é também uma escuta. Consiste em colocar-se a escutar a voz interior da graça. A escutar o chamado. E então, já que me perguntais como o Papa reza, vos respondo: como todo cristão; fala e escuta. Ás vezes, reza sem palavras, e é então quando mais escuta. O mais importante é precisamente o que "ouve". Trata também de unir a oração com suas obrigações, com suas atividades, com seu trabalho e unir seu trabalho com a oração. Dessa maneira, dia após dia, trata de cumprir seu "serviço", seu "ministério", que deriva da vontade de Cristo e da tradição viva da Igreja.
O ministério do Papa
Perguntastes também como vejo esse serviço agora que vai fazer dois anos que fui chamado a ser Sucessor de Pedro. O vejo principalmente como um amadurecimento no sacerdócio e como a permanência na oração como Maria, a Mãe de Cristo, a exemplo dos Apóstolos, que eram assíduos na oração, dentro do cenáculo de Jerusalém, quando receberam o Espírito Santo. Além disso, encontrareis minha resposta a essa pergunta ao examinar as restantes. E principalmente a que se refere à realização do Concílio Vaticano II (pergunta número 14) Perguntastes é é possível. E eu respondo: não somente é possível a realização do Concilio, como é necessária. E esta resposta é antes de tudo a reposta da fé. É a primeira resposta que dei na manhã seguinte à minha eleição perante os cardeais reunidos na capela Sistina. É a resposta que dei a mim mesmo e os demais primeiramente como bispo e como cardeal e é a resposta que dou constantemente, é esse o problema principal. Acredito que, através do Concílio, realizou-se para a Igreja em nossa época as palavras de Cristo, com as quais prometeu à sua Igreja o Espírito de verdade, que conduzia as almas e os corações dos Apóstolos e de seus sucessores, permitindo-lhes permanecer na verdade, realizando à luz dessa verdade "os sinais dos tempos". É justamente o que o Concílio fez em função das necessidades de nosso tempo, de nossa época. Acredito que, graças ao Concílio, o Espírito Santo "fala" à Igreja. Digo isto, retomando a expressão de São João. Nosso dever é compreender, de modo firme e honrado, o que "o Espírito diz" e colocá-lo em prática, evitando possíveis desvios, desde qualquer ponto de vista, do caminho que o Concílio traçou.
Fidelidade à Palavra de Deus
O serviço do bispo, e em particular o do Papa, está ligado a uma responsabilidade especial em relação ao que diz o Espírito: está ligado a essa responsabilidade no que diz respeito ao conjunto da fé da Igreja e da moral cristã. Com efeito, são essa fé e essa moral as que devem ensinar na Igreja os Bispos com o Papa, vigiando à luz da Tradição sempre viva, sobre sua conformidade, com a palavra de Deus revelada. Por isso deve às vezes se dar conta também de que certas opiniões, certas publicações manifestam claramente a falta dessa conformidade. Não constituem uma doutrina autêntica da fé cristã e da moral. E ao falar disto respondo a uma de vossas perguntas. Se tivéssemos mais tempo, poderia dedicar a este problema uma exposição mais ampla, principalmente porque neste terreno abundam as informações falsas e explicações errôneas; mas hoje nos contentaremos com estas poucas palavras.
O dom da unidade entre os cristãos
Gostaríeis de saber se eu espero a unidade das igrejas e como eu a imagino. Responderei o mesmo que a propósito da aplicação do Concílio. Também vejo aí uma chama particular do Espírito Santo. No que diz respeito a sua realização, encontramos no ensinamento do Concílio todos os elementos fundamentais. Estes são os que devem ser colocados em prática, buscando suas aplicações concretas e, principalmente, rogando sempre com fervor, constância e humildade. A união dos cristãos não pode se realizar senão com um amadurecimento profundo na verdade uma conversão constante dos corações. Tudo isto devemos fazê-lo segundo nossas capacidades humanas, revisando todos os "processos históricos" que duraram tantos séculos, mas, definitivamente, esta união, pela qual não devemos desperdiçar nem esforços nem trabalhos, será o dom de Cristo à sua Igreja. Como já é de fato um dom seu entrarmos no caminho da unidade.
Promover a paz e a justiça no mundo
Seguindo a lista de vossas perguntas vos respondo. Já falei muitas vezes dos deveres da Igreja no campo da justiça e da paz, seguindo as pegadas das atividades de meus grandes predecessores João XXIII e Paulo VI. Refiro-me a tudo isto porque me perguntastes: o que nós, jovens, podemos fazer por esta causa? Podemos fazer algo para impedir uma nova guerra, uma catástrofe que seria incomparavelmente mais terrível que a anterior? Acredito que, na própria formulação de vossas perguntas, encontrareis a resposta esperada. Lede essas perguntas, meditai-as. Fazei delas um programa comunitário, um programa de vida. Vós, jovens, tendes já a possibilidade de promover a paz e a justiça onde estiverdes, em vosso mundo. Isso supõe atitudes precisas de acerto ao ver a verdade sobre vós mesmos e sobre os outros, um desejo de justiça baseado no respeito dos demais a suas diferenças, a seus direitos importantes; assim se prepara um clima de fraternidade para o amanhã, quando vós tiverdes grandes responsabilidades na sociedade. Se se quer fazer um mundo novo e fraternal, convém preparar homens novos.
Ajudar no desenvolvimento do terceiro mundo
E agora, a pergunta sobre o Terceiro Mundo. É um grande tema histórico, cultural, de civilização. Mas é principalmente um problema moral. Perguntais com toda razão quais devem ser as relações entre nosso país e os países do Terceiro Mundo: da África e da Ásia, Há aí, efetivamente, grandes obrigações de ordem moral. Nosso mundo "ocidental" é ao mesmo tempo "setentrional" (europeu ou Atlântico) Suas riquezas e seu progresso devem muito aos recursos e aos homens destes continentes. Na nova situação em que nos encontramos depois do Concílio, não se pode continuar buscando somente ali a fonte de um enriquecimento ulterior e do próprio progresso. Deve-se conscientemente e organizando-se para isso, ajudá-los em seu desenvolvimento. Esse é, talvez, o problema mais importante no que diz respeito à justiça e à paz no mundo de hoje e de amanhã. A solução desse problema depende da geração atual, e dependerá de vossa geração e das que seguirão. Aqui também se trata de continuar o testemunho dado a Cristo e à Igreja por muitas gerações anteriores de missões, religiosos e leigos.
Ser testemunha de Cristo
E agora a pergunta sobre como ser hoje testemunhas de Cristo. É a questão fundamental, a continuação da meditação central de nosso diálogo, a conversa de Jesus com o jovem. Cristo lhe diz "segue-me". É o que disse a Simão, filho de João, a quem deu o nome de Pedro; a seu irmão André, aos filhos de Zebedeu, a Natanael. Disse "segue-me" para repetir então, depois da ressurreição "sereis minhas testemunhas" (At. 1, 8). Para ser testemunhas de Cristo, para dar testemunho d’Ele, antes de tudo deve-se segui-lo. Deve-se aprender a conhecê-lo, deve-se entrar, por assim dizer, em sua escola, penetrar todo seu mistério. É uma tarefa fundamental e central. Mas o fazemos assim, se não estamos dispostos a fazê-lo constante e honradamente, nosso testemunho corre o risco de ser superficial e exterior. Corre o risco de não ser um testemunho. Mas se, ao contrário, seguimos atentos a isto, o próprio Cristo nos ensinará, mediante seu Espírito, o que temos que fazer, como devemos nos comportar, em que e como devemos nos comprometer, como levar adiante o diálogo com o mundo contemporâneo, esse diálogo que Paulo VI denominou diálogo de salvação.
Tarefa dos jovens e as jovens na Igreja
Por conseguinte, se me perguntardes "O que devemos fazer na Igreja, principalmente nós, os jovens?" Tenho que vos responder: aprender a conhecer a Cristo. Constantemente. Aprender de Cristo. N’Ele encontram-se verdadeiramente os tesouros insondáveis da sabedoria e da ciência. Nele, o homem, sobre quem pesa suas limitações, seus vícios, suas fraquezas e seus pecados, converte-se realmente no "homem novo", converte-se no homem "para os demais" e converte-se também na glória de Deus, porque a glória de Deus, como disse no século II São Irineu de Lyon, bispo e mártir, é o "homem vivente". A experiência de dois milênios nos ensina que, nesta obra fundamental, a missão de todo o Povo de Deus não existe nenhuma diferença essencial entre o homem e a mulher. Cada um em seu gênero segundo as características específicas da feminilidade e da masculinidade, chega a ser esse "homem novo", quer dizer, esse homem "para os demais" e, como homem vivente, chega a fazer a glória de Deus, no sentido hierárquico, está dirigida pelos sucessores dos apóstolos, e, portanto, por homem, é ainda mais verdade que, no sentido carismático, as mulheres a "conduzem" igualmente, e inclusive melhor ainda: vos convido a pensar freqüentemente em Maria, a Mãe de Cristo.
Antes de concluir este testemunho baseado em vossas perguntas, gostaria mais uma vez de agradecer muito especialmente os vários representantes da juventude francesa que, antes da minha chegada a Paris, me enviaram milhares de cartas. Agradeço-vos por manifestardes este vínculo, esta comunhão, esta co-responsabilidade. E desejo que esse vínculo, esta comunhão e essa co-responsabilidade continuem aprofundando-se e desenvolvendo-se após o nosso encontro desta noite.
Peço-vos também que reforceis vossa união com os jovens de toda a Igreja e de todo o mundo, no Espírito desta certeza de que Cristo é nosso caminho, a verdade e a vida (cf. Jo. 14, 6)
Unamo-nos agora nessa oração que Ele mesmo nos ensinou, cantando o "Pai Nosso". E recebei todos, para vós, para os rapazes e moças de vossa idade, para vossas famílias e para os homens que mais sofrem, a benção Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro.
"Pai nosso que estais no céu, santificado seja vosso nome, venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém".
O Papa aos jovens da França, Junho de 1980

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Recordes e Curiosidades do Pontificado

Os 26 anos e meio de Pontificado de João Paulo II estão marcados pelos números mais surpreendentes e muitas “primeiras vezes” históricas:- Além de ter sido o primeiro Papa polaco, foi o primeiro oriundo de uma país comunista – numa altura em que ainda existia a “cortina de ferro” na Europa. - Foi um jovem que demonstrou grande interesse pelo teatro e literatura polaca.- Trabalhou duramente numa mina.- Quando gozou de boa saúde foi praticante de esqui, montanhismo e remo.- É o primeiro Papa a repetir nomes dos seus dois imediatos predecessores.- É o único Papa a ter sido atingido a tiro na rua.- É o único pontífice católico que deu entrada num hospital público até hoje.- Segundo uma sondagem nos EUA, o que mais cativa na sua figura é o sorriso, a devoção mariana, o domínio de várias línguas e o seu amor às crianças e aos pobres.- João Paulo II ocupou o primeiro lugar numa sondagem que pedia a alunos do secundário de Portugal, Espanha e América Latina para indicarem “a pessoa que mais admiram”.- No Natal costuma oferecer aos amigos, cardeais e todos os trabalhadores no Vaticano uma garrafa de vinho e um pão doce de limão com passas.- Vai confessar em todas as Sextas-feiras Santas na Basílica de São Pedro. Baptiza na sua capela privada os filhos dos seus amigos ou dos seus mais modestos colaboradores. Já casou um serralheiro com uma mecanógrafa.- Em Março de 2003 o Vaticano apresentou o sexto livro de poemas místicos escritos pelo Papa, o “Tríptico Romano”.- Realizou três exorcismos durante o Pontificado, sendo o mais conhecido o realizado a uma jovem, em 1982, que se mostrou muito agitada durante a audiência geral.- No dia 13 de Abril de 1986 realizou um gesto histórico ao visitar a sinagoga de Roma.- Pediu perdão pelas faltas humanas cometidas pela Igreja Católica numa intervenção a 12 de Março de 2000, ano do Jubileu.- É o primeiro Papa a ter rezado numa Mesquita, na Síria, um gesto que muitos sectores mais conservadores não receberam de bom grado.- Em Maio de 2002 reuniu-se na Praça de São Pedro com centenas de antigas prostitutas, durante a audiência geral.- Nesse mesmo mês, depois do encontro ecuménico de oração em Assis, enviou uma mensagem aos chefes de Estado convidando-os a adoptar 10 compromissos pela paz mundial.- Recebeu no Vaticano uma delegação oficial da Igreja Ortodoxa Grega, a primeira desde o cisma de 1054.- Em Agosto de 2002 celebrou uma Missa em Cracóvia que reuniu 2 milhões de fiéis, a maior de toda a história.- No dia 14 de Novembro de 2002 visitou o parlamento italiano, algo que o Papa não fazia há 150 anos. O seu discurso foi tão eloquente que o mafioso Benedetto Marciante, capo de la Cosa Nostra, se entregou à polícia romana.- Os pensamentos do Papa já estão disponíveis por SMS em vários países.- Em Junho de 2003 completou as 100 viagens apostólicas, na Croácia.- Uma montanha do Polo Sul tem o nome do Papa João Paulo II, como homenagem aos seus 25 anos de Pontificado.- Proclamou 1.338 beatos, canonizou 482 santos, mais do que em todos os Pontificados desde a criação da Congregação dos Ritos (hoje Congregação para as Causas dos Santos) em 1588.- Convocou 9 consistórios para a criação de cardeais e nomeou 232 cardeais, um dos quais “in pectore”.- João Paulo II tem o 3º maior Pontificado da historia- Após 26 anos de Pontificado, João Paulo II realizou 104 viagens apostólicas fora da Itália, a que se juntam 146 nesse país. - Visitou 129 países diferentes e mais de mil cidades, num total de 1.162.008 quilómetros percorridos, suficientes para mais de três viagens entre a terra e a lua e 29 voltas à terra.- Nestas viagens pronunciou 3288 discursos e esteve fora do Vaticano um total de dias correspondentes a dois anos e três meses.- Escreveu 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas, 46 cartas apostólicas.- O Papa encontrou-se com 17,5 milhões de pessoas em 1164 audiências semanais. Mais de Mil Chefes de Estado e de Governo passaram pelo Vaticano..

Testamento de João Paulo II


Testamento de 06.03.1979 e sucessivos acrescentosTotus Tuus ego sumEm nome da Santíssima Trindade. Amen."Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor" (cf. Mt 24,42) – estas palavras recordam-me o último chamamento, que acontecerá no momento em que o Senhor quiser. Desejo segui-Lo e desejo que tudo aquilo que faz parte da minha vida terrena me prepare para este momento. Não sei quando isso acontecerá, mas, como em tudo, também neste momento me coloco nas mãos da Mãe do meu Mestre: Totus Tuus.Nas mesmas mãos maternas entrego tudo e Todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me ligou. Nessas mãos entrego, sobretudo, a Igreja e também a minha Nação e toda a humanidade. Agradeço a todos. A todos peço perdão. Peço também a oração, para que a Misericórdia de Deus se mostre maior do que a minha fraqueza e indignidade.Durante os exercícios espirituais reli o testamento do Santo Padre Paulo VI. Esta leitura impulsionou-me a escrever o presente testamento.Não deixo atrás de mim nenhuma propriedade da qual seja necessário dispor. Quanto às coisas de uso quotidiano de que me sirvo, peço que sejam distribuídas como parecer oportuno. As notas pessoais sejam queimadas. Peço que dom Stanislaw, a quem agradeço pela colaboração e pela ajuda tão prolongada ao longo dos anos e tão compreensiva, vele por isto. Todos os outros agradecimentos, em contrapartida, deixo-os no coração diante do próprio Deus, pois é difícil exprimi-los. No que diz respeito ao funeral, repito as mesmas disposições que o Santo Padre Paulo VI deu (numa nota à margem: a sepultura na terra, não num sarcófago, 13.3.92)."Apud Dominum misericordiaet copiosa apud Eum redemptio"João Paulo pp. IIRoma, 06.03.1979"Depois da morte peço Santas Missas e orações".05.03.1990[Folha sem data]"Exprimo a mais profunda confiança de que, apesar de toda a minha fraqueza, o Senhor me concederá toda as graças necessárias para enfrentar, segundo a Sua vontade, qualquer missão, prova e sofrimento que Ele queira pedir ao Seu servo, no decurso da vida. Tenho também confiança de que Ele não permitirá nunca que, através de qualquer atitude – palavras, obras ou omissões – possa trair as minhas obrigações nesta santa Sé Petrina.24.02-01.03.1980"Também durante estes exercícios espirituais reflecti sobre a verdade do Sacerdócio de Cristo na perspectiva da Passagem que para cada um de nós é o momento da própria morte. A Ressurreição de Cristo é para nós sinal eloquente (acrescentado por cima: decisivo) da despedida deste mundo – para nascer no outro, no mundo futuro. Li, pois, as anotações do meu testamento do último ano, escrito também durante os exercícios espirituais – e comparei-os com o testamento do meu grande Predecessor e Pai Paulo VI, com aquele sublime testemunho sobre a morte de um cristão e de um papa – e renovei em mim a consciência das questões às quais se refere a anotação de 6.III. 1979 preparada por mim (de uma maneira muito provisória).Hoje desejo acrescentar apenas isto, que cada um deve ter presente a perspectiva da morte. E deve estar pronto a apresentar-se diante do Senhor e do Juiz – e ao mesmo tempo Redentor e Pai. Eu também tomo isto em consideração continuamente, confiando esse momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja – à Mãe da minha esperança. Os tempos em que vivemos, são indizivelmente difíceis e inquietos. Difícil e duro tornou-se também o caminho da Igreja, uma prova característica destes tempos – tanto para os Fiéis, como para os Pastores. Em alguns Países (como, por exemplo, naquele sobre o qual li durante os exercícios espirituais), a Igreja encontra-se num período de perseguição tal que não é inferior à dos primeiros séculos, ou antes, até os supera pelo grau de crueldade e de ódio. Sanguis martyrum - semen christianorum. E além disto – tantas pessoas desaparecem inocentemente, também neste País em que vivemos...Uma vez mais desejo confiar-me totalmente à graça do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o ministério pastoral. Na vida e na morte Totus Tuus, através da Imaculada. Aceitando desde agora esta morte, espero que Cristo me dê a graça para a última passagem, quer dizer, a (minha) Páscoa. Espero também que a torne útil para a causa mais importante que procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana, e nela de todas as nações e povos (entre eles refiro-me também em particular à minha Pátria terrena), útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a questão da Igreja, para a glória do próprio Deus. Não desejo acrescentar nada ao que escrevi há um ano – apenas exprimir esta prontidão e ao mesmo tempo confiança, para as quais de novo me dispuseram os presentes exercícios espirituais.João Paulo IITotus Tuus ego sum05.03.1982Totus Tuus ego sumNo decurso dos exercícios espirituais deste ano, li (mais vezes) o texto do testamento de 6.III.1979. Apesar de ainda o considerar provisório (não definitivo), deixo-o na forma em que está. Não mudo (por agora) nada, e também nada acrescento, no que se refere às disposições nele contidas.O atentado contra a minha vida a 13.V.1981 confirmou, de alguma maneira, a exactidão das palavras escritas no período dos exercícios espirituais de 1980 (24.II-1.III). Sinto ainda mais profundamente que me encontro totalmente nas Mãos de Deus – e encontro-me totalmente à disposição do meu Senhor, confiando-me a Ele através da Sua Imaculada Mãe (Totus Tuus).João Paulo pp. II 05.03.1982Em relação à última frase do meu testamento de 6.III 1979 (“sobre o lugar, o lugar do funeral, decida o Colégio Cardinalício e os Compatriotas”) – esclareço o que tenho em mente: o metropolita de Cracóvia ou o Conselho Geral do Episcopado da Polónia – ao Colégio Cardinalício peço que satisfaça, na medida do possível, as eventuais petições dos acima indicados. 01.03.1985Além disso – no que diz respeito à expressão “Colégio Cardinalício e os Compatriotas”: o “Colégio Cardinalício” não tem nenhuma obrigação de consultar os “Compatriotas” sobre esta questão; no entanto, pode fazê-lo, se por algum motivo o considerar justo.JPII. Exercícios espirituais do ano jubilar de 2000(12-18.III) [Para o testamento] 1. Quando no dia 16 de Outubro de 1978 o Conclave dos Cardeais escolheu João Paulo II, o Primaz da Polónia, Card. Stefan Wyszynki disse-me: “A tarefa do novo papa será a de conduzir a Igreja ao novo milénio”. Não sei se repito exactamente a frase, mas pelo menos era esse o sentido daquilo que então ouvi. Disse-o o Homem que passou à História como Primaz do Milénio. Um grande Primaz. Fui testemunha da sua missão, da sua total confiança. Das Suas lutas: da Sua vitória. “A vitória, quando chegar, será uma vitória através de Maria” – estas palavras do seu Predecessor, o Card. August Hlond, costumavam ser repetidas pelo Primaz do Milénio.Deste modo fui, de alguma maneira, preparado para a tarefa que, no dia 16 de Outubro de 1978, se apresentou diante de mim. No momento em que escrevo estas palavras, o Ano Jubilar de 2000 é já uma realidade de facto. Na noite de 24 de Dezembro de 1999 foi aberta a simbólica Porta do Grande Jubileu na Basílica de São Pedro, e em seguida a de São João de Latrão, depois a de Santa Maria Maior – no primeiro dia do ano, e no dia 19 de Janeiro a Porta da Basílica de São Paulo fora de muros. Este último acto, dado o seu carácter ecuménico, ficou impresso na memória de modo muito particular. 2. À medida em que o Ano Jubilar de 2000 vai avançando, dia a dia fecha-se atrás de nós o século vinte e abre-se o século vinte e um. Segundo os desígnios da Providência foi-me concedido viver no difícil século que está a terminar, e agora no ano em que a minha vida alcança os oitenta anos ("octogesima adveniens"), é necessário perguntar-se se não será o tempo de repetir com o bíblico Simeão Nunc dimittis.No dia 13 de Maio de 1981, o dia do atentado contra o Papa durante a audiência geral na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me da morte de modo milagroso. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou a vida, de certo modo deu-ma de novo. Desde este momento a minha vida pertence-lhe ainda mais a Ele. Espero que Ele me ajude a reconhecer até quando devo continuar este serviço, ao qual me chamou no dia 16 de Outubro de 1978. Peço-lhe que me chame quando quiser. “Na vida e na morte pertencemos ao Senhor... somos do Senhor (cf. Rm 14,8). Espero também que até que me seja dado cumprir o serviço Petrino na Igreja, a Misericórdia de Deus queira emprestar-me as forças necessárias para este serviço.3. Como em cada ano durante os exercícios espirituais, li o meu testamento de 6.III.1979. Continuo a manter as disposições nele contidas. Aquilo que então, e também durante os sucessivos exercícios espirituais foi acrescentado, constitui um reflexo da difícil e dura situação geral, que marcou os anos oitenta. Desde o outono do ano 1989 esta situação mudou. O último decénio do século passado esteve livre das tensões precedentes; isto não significa que não tenha trazido consigo novos problemas e dificuldades. De modo particular, seja louvada a Divina Providência por isto, porque o período da chamada “guerra fria” terminou sem o violento conflito nuclear, cujo perigo pesava sobre o mundo no período precedente. 4. Estando no limiar do terceiro milénio "in medio Ecclesiae", desejo ainda mais uma vez exprimir a gratidão ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, ao qual junto com toda a Igreja – e sobretudo com todo o episcopado – me sinto devedor. Estou convencido de que ainda por muito tempo será dado às novas gerações descobrir as riquezas que este Concílio do século XX nos deixou. Como bispo que participou no acontecimento conciliar do primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são e serão chamados a concretizá-lo no futuro. Da minha parte agradeço ao eterno Pastor que me permitiu servir esta grandíssima causa no decorrer de todos os anos do meu pontificado. "In medio Ecclesiae"... desde os primeiros anos do serviço episcopal – sublinho que graças ao Concílio – foi-me permitido experimentar a fraterna comunhão do Episcopado. Como sacerdote da Arquidiocese de Cracóvia tinha experimentado o que era a comunhão fraterna do presbitério – o Concílio abriu uma nova dimensão desta experiência. 5. Quantas pessoas deveria aqui elencar! Provavelmente o Senhor Deus chamou a Si a maioria delas – quanto aos que ainda se encontram neste mundo, as palavras deste testamento recordam-nas a todos e em todos os lugares, onde quer que se encontrem.No decurso dos mais de vinte anos em que venho exercendo o serviço Petrino "in medio Ecclesiae" experimentei a benévola e ainda mais fecunda colaboração de tantos Cardeais, Arcebispos e Bispos, tantos sacerdotes, tantas pessoas consagradas – Irmãos e Irmãs – enfim de tantas pessoas leigas, no ambiente da Cúria, no Vicariato da Diocese de Roma, bem como fora destes ambientes.Como não abraçar com grata memória todos os Episcopados do mundo, com os quais me encontrei em sucessivas visitas "ad limina Apostolorum"! Como não recordar também tantos Irmãos cristãos – não católicos! E o rabino de Roma e os numerosos representantes das religiões não cristãs! E a tantos representantes do mundo da cultura, da ciência, da política, dos meios de comunicação social!6. À medida que se aproxima o limite da minha vida terrena, regresso com a memória ao início, aos meus Pais, ao Irmão e à Irmã (que não conheci, porque morreu antes do meu nascimento), à paróquia de Wadowice, onde fui baptizado, àquela cidade do meu amor, às pessoas do meu tempo, companheiras e companheiros da escola primária, do liceu, da universidade, até aos tempos da ocupação, quando trabalhei como operário, e em seguida à paróquia de Niegowie, à de São Floriano de Cracóvia, à pastoral universitária, ao ambiente... a todos os ambientes... a Cracóvia e a Roma... às pessoas que, de modo especial, me foram confiadas pelo Senhor. A todos quero dizer apenas uma coisa: “Deus vos recompense”."In manus Tuas, Domine, commendo spiritum meum".A.D. 17.III.2000Tradução: Agência ECCLESIA/Secretariado geral da CEPTradução italiana publicada pelo VaticanoTotus Tuus ego sumNel Nome della Santissima Trinità. Amen. "Vegliate, perchè non sapete in quale giorno il Signore vostro verrà" (cf. Mt 24, 42) - queste parole mi ricordano l'ultima chiamata, che avverrà nel momento in cui il Signore vorrà. Desidero seguirLo e desidero che tutto ciò che fa parte della mia vita terrena mi prepari a questo momento. Non so quando esso verrà, ma come tutto, anche questo momento depongo nelle mani della Madre del mio Maestro: Totus Tuus.Nelle stesse mani materne lascio tutto e Tutti coloro con i quali mi ha collegato la mia vita e la mia vocazione. In queste Mani lascio soprattutto la Chiesa, e anche la mia Nazione e tutta l'umanità. Ringrazio tutti. A tutti chiedo perdono. Chiedo anche la preghiera, affinchè la Misericordia di Dio si mostri più grande della mia debolezza e indegnità.Durante gli esercizi spirituali ho riletto il testamento del Santo Padre Paolo VI. Questa lettura mi ha spinto a scrivere il presente testamento.Non lascio dietro di me alcuna proprietà di cui sia necessario disporre. Quanto alle cose di uso quotidiano che mi servivano, chiedo di distribuirle come apparirà opportuno. Gli appunti personali siano bruciati. Chiedo che su questo vigili don Stanislao, che ringrazio per la collaborazione e l'aiuto così prolungato negli anni e così comprensivo. Tutti gli altri ringraziamenti invece, li lascio nel cuore davanti a Dio stesso, perchè è difficile esprimerli.Per quanto riguarda il funerale, ripeto le stesse disposizioni, che ha dato il Santo Padre Paolo VI. (qui nota al margine: il sepolcro nella terra, non in un sarcofago, 13.3.92)."Apud Dominum misericordia et copiosa apud Eum redemptio"Giovanni Paolo pp. II Roma, 06.03.1979"Dopo la morte chiedo Sante Messe e preghiere".05.103.1990[Foglio senza data]"Esprimo la più profonda fiducia che, malgrado tutta la mia debolezza, il Signore mi concederà ogni grazia necessaria per affrontare secondo la Sua volontà qualsiasi compito, prova e sofferenza che vorrà richiedere dal Suo servo, nel corso della vita. Ho anche fiducia che non permetterà mai che, mediante qualche mio atteggiamento: parole, opere o omissioni, possa tradire i miei obblighi in questa santa Sede Petrina.24.02-01.03.1980"Anche durante questi esercizi spirituali ho riflettuto sulla verità del Sacerdozio di Cristo nella prospettiva di quel Transito che per ognuno di noi è il momento della propria morte. Del congedo da questo mondo - per nascere all'altro, al mondo futuro, segno eloquente (aggiunto sopra: decisivo) è per noi la Risurrezione di Cristo.Ho letto dunque la registrazione del mio testamento dell'ultimo anno, fatta anch'essa durante gli esercizi spirituali - l'ho paragonata con il testamento del mio grande Predecessore e Padre Paolo VI, con quella sublime testimonianza sulla morte di un cristiano e di un papa - e ho rinnovato in me la coscienza delle questioni, alle quali si riferisce la registrazione del 6.III. 1979 preparata da me (in modo piuttosto provvisorio).Oggi desidero aggiungere ad essa solo questo, che ognuno deve tener presente la prospettiva della morte. E deve esser pronto a presentarsi davanti al Signore e al Giudice - e contemporaneamente Redentore e Padre. Allora anche io prendo in considerazione questo continuamente, affidando quel momento decisivo alla Madre di Cristo e della Chiesa - alla Madre della mia speranza. I tempi, nei quali viviamo, sono indicibilmente difficili e inquieti. Difficile e tesa è diventata anche la via della Chiesa, prova caratteristica di questi tempi - tanto per i Fedeli, quanto per i Pastori. In alcuni Paesi (come p.e. in quello di cui ho letto durante gli esercizi spirituali), la Chiesa si trova in un periodo di persecuzione tale, da non essere inferiore a quelle dei primi secoli, anzi li supera per il grado della spietatezza e dell'odio. Sanguis martyrum - semen christianorum. E oltre questo - tante persone scompaiono innocentemente, anche in questo Paese in cui viviamo...Desidero ancora una volta totalmente affidarmi alla grazia del Signore. Egli stesso deciderà quando e come devo finire la mia vita terrena e il ministero pastorale. Nella vita e nella morte Totus Tuus mediante l'Immacolata. Accettando già ora questa morte, spero che il Cristo mi dia la grazia per l'ultimo passaggio, cioè la [mia] Pasqua. Spero anche che la renda utile anche per questa più importante causa alla quale cerco di servire: la salvezza degli uomini, la salvaguardia della famiglia umana, e in essa di tutte le nazioni e dei popoli (tra essi mi rivolgo anche in modo particolare alla mia Patria terrena), utile per le persone che in modo particolare mi ha affidato, per la questione della Chiesa, per la gloria dello stesso Dio.Non desidero aggiungere niente a quello che ho scritto un anno fa - solo esprimere questa prontezza e contemporaneamente questa fiducia, alla quale i presenti esercizi spirituali di nuovo mi hanno disposto". Dopo la firma segue "Totus Tuus ego sum".Giovanni Paolo II05.03.1982Totus Tuus ego sum"Nel corso degli esercizi spirituali di quest'anno ho letto (più volte) il testo del testamento del 6.III.1979. Malgrado che tuttora lo consideri come provvisorio (non definitivo), lo lascio nella forma nella quale esiste. Non cambio (per ora) niente, e neppure aggiungo, per quanto riguarda le disposizioni in esso contenute.L'attentato alla mia vita il 13.V.1981 in qualche modo ha confermato l'esattezza delle parole scritte nel periodo degli esercizi spirituali del 1980 (24.II - 1.III) Tanto più profondamente sento che mi trovo totalmente nelle Mani di Dio - e resto continuamente a disposizione del mio Signore, affidandomi a Lui nella Sua Immacolata Madre (Totus Tuus)".Giovanni Paolo pp. II 05.03.1982"In connessione con l'ultima frase del mio testamento del 6.III 1979 (: "Sul luogo /il luogo cioè del funerale/ decida il Collegio Cardinalizio e i Connazionali") - chiarisco che ho in mente: il metropolita di Cracovia o il Consiglio Generale dell'Episcopato della Polonia - al Collegio Cardinalizio chiedo intanto di soddisfare in quanto possibile le eventuali domande dei su elencati".01.03.1982"Ancora - per quanto riguarda l'espressione "Collegio Cardinalizio e i Connazionali": il "Collegio Cardinalizio" non ha nessun obbligo di interpellare su questo argomento "i Connazionali"; può tuttavia farlo, se per qualche motivo lo riterrà giusto". JPII.Exercícios do ano jubilar de 200012-18.03.2000[Para o testamento]"Quando nel giorno 16 ottobre 1978 il conclave dei cardinali scelse Giovanni Paolo II, - vi si legge - il Primate della Polonia Card. Stefan Wyszynski mi disse: "Il compito del nuovo papa sarà di introdurre la Chiesa nel Terzo Millennio". Non so se ripeto esattamente la frase, ma almeno tale era il senso di ciò che allora sentii. Lo disse l'Uomo che è passato alla storia come Primate del Millennio. Un grande Primate. Sono stato testimone della sua missione, del Suo totale affidamento. Delle Sue lotte: della Sua vittoria. "La vittoria, quando avverrà, sarà una vittoria mediante Maria" - queste parole del suo Predecessore, il card. August Hlond, soleva ripetere il Primate del Millennio.In questo modo sono stato in qualche maniera preparato al compito che il giorno 16 ottobre 1978 si è presentato davanti a me. Nel momento in cui scrivo queste parole, l'Anno giubilare del 2000 è già una realtà in atto. La notte del 24 dicembre 1999 è stata aperta la simbolica Porta del Grande Giubileo nella Basilica di San Pietro, in seguito quella di San Giovanni in Laterano, poi di Santa Maria Maggiore - a capodanno, e il giorno 19 gennaio la Porta della Basilica di San Paolo "fuori le mura". Quest'ultimo avvenimento, per via del suo carattere ecumenico, è restato impresso nella memoria in modo particolare.2. A misura che l'Anno Giubilare 2000 va avanti, di giorno in giorno si chiude dietro di noi il secolo ventesimo e si apre il secolo ventunesimo. Secondo i disegni della Provvidenza mi è stato dato di vivere nel difficile secolo che se ne sta andando nel passato, e ora nell'anno in cui l'età della mia vita giunge agli anni ottanta ("octogesima adveniens"), bisogna domandarsi se non sia il tempo di ripetere con il biblico Simeone "Nunc dimittis".Nel giorno del 13 maggio 1981, il giorno dell'attentato al Papa durante l'udienza generale in Piazza San Pietro, la Divina Provvidenza mi ha salvato in modo miracoloso dalla morte. Colui che è unico Signore della vita e della morte Lui stesso mi ha prolungato questa vita, in un certo modo me l'ha donata di nuovo. Da questo momento essa ancora di più appartiene a Lui. Spero che Egli mi aiuterà a riconoscere fino a quando devo continuare questo servizio, al quale mi ha chiamato nel giorno 16 ottobre 1978. Gli chiedo di volermi richiamare quando Egli stesso vorrà. "Nella vita e nella morte apparteniamo al Signore... siamo del Signore" (cf. Rm 14, 8). Spero anche che fino a quando mi sarà donato di compiere il servizio Petrino nella Chiesa, la Misericordia di Dio voglia prestarmi le forze necessarie per questo servizio.3. Come ogni anno durante gli esercizi spirituali ho letto il mio testamento del 6.III.1979. Continuo a mantenere le disposizioni contenute in esso. Quello che allora, e anche durante i successivi esercizi spirituali è stato aggiunto costituisce un riflesso della difficile e tesa situazione generale, che ha marcato gli anni ottanta. Dall'autunno dell'anno 1989 questa situazione è cambiata. L'ultimo decennio del secolo passato è stato libero dalle precedenti tensioni; ciò non significa che non abbia portato con sè nuovi problemi e difficoltà. In modo particolare sia lode alla Provvidenza Divina per questo, che il periodo della così detta "guerra fredda" è finito senza il violento conflitto nucleare, di cui pesava sul mondo il pericolo nel periodo precedente.4. Stando sulla soglia del terzo millennio "in medio Ecclesiae", desidero ancora una volta esprimere gratitudine allo Spirito Santo per il grande dono del Concilio Vaticano II, al quale insieme con l'intera Chiesa - e soprattutto con l'intero episcopato - mi sento debitore. Sono convinto che ancora a lungo sarà dato alle nuove generazioni di attingere alle ricchezze che questo Concilio del XX secolo ci ha elargito. Come vescovo che ha partecipato all'evento conciliare dal primo all'ultimo giorno, desidero affidare questo grande patrimonio a tutti coloro che sono e saranno in futuro chiamati a realizzarlo. Per parte mia ringrazio l'eterno Pastore che mi ha permesso di servire questa grandissima causa nel corso di tutti gli anni del mio pontificato."In medio Ecclesiae"... dai primi anni del servizio vescovile - appunto grazie al Concilio - mi è stato dato di sperimentare la fraterna comunione dell'Episcopato. Come sacerdote dell'Arcidiocesi di Cracovia avevo sperimentato che cosa fosse la fraterna comunione del presbiterio - il Concilio ha aperto una nuova dimensione di questa esperienza.5. Quante persone dovrei qui elencare! Probabilmente il Signore Dio ha chiamato a Sè la maggioranza di esse - quanto a coloro che ancora si trovano da questa parte, le parole di questo testamento li ricordino, tutti e dappertutto, dovunque si trovino.Nel corso di più di vent'anni da cui svolgo il servizio Petrino "in medio Ecclesiae" ho sperimentato la benevola e quanto mai feconda collaborazione di tanti Cardinali,Arcivescovi e Vescovi, tanti sacerdoti, tante persone consacrate - Fratelli e Sorelle - infine di tantissime persone laiche, nell'ambiente curiale, nel Vicariato della Diocesi di Roma, nonchè fuori di questi ambienti. Come non abbracciare con grata memoria tutti gli Episcopati nel mondo, con i quali mi sono incontrato nel succedersi delle visite "ad limina Apostolorum"! Come non ricordare anche tanti Fratelli cristiani - non cattolici! E il rabbino di Roma e così numerosi rappresentanti delle religioni non cristiane! E quanti rappresentanti del mondo della cultura, della scienza, della politica, dei mezzi di comunicazione sociale!6. A misura che si avvicina il limite della mia vita terrena ritorno con la memoria all'inizio, ai miei Genitori, al Fratello e alla Sorella (che non ho conosciuto, perchè morì prima della mia nascita), alla parrocchia di Wadowice, dove sono stato battezzato, a quella città del mio amore, ai coetanei, compagne e compagni della scuola elementare, del ginnasio, dell'università, fino ai tempi dell'occupazione, quando lavorai come operaio, e in seguito alla parrocchia di Niegowic, a quella cracoviana di S. Floriano, alla pastorale degli accademici, all'ambiente... a tutti gli ambienti... a Cracovia e a Roma... alle persone che in modo speciale mi sono state affidate dal Signore.A tutti voglio dire uno sola cosa: "Dio vi ricompensi""In manus Tuas, Domine, commendo spiritum meum"A.D.17.III.2000

O Papa Polaco, segundo a Agencia Ecclesia

Papa Wojtyla
Biografia de João Paulo II
O Papa polaco é uma das figuras mais marcantes da história recente, na Igreja e no mundo, e tem atrás de si a herança de um longo Pontificado de 26 anos e meio.Karol Wojtyla nasceu no dia 18 de Maio de 1920 em Wadowice, no sul da Polónia, filho de Karol Wojtyla, um militar do exército austro-húngaro, e Emília Kaczorowsky, uma jovem de origem lituana.Aos 9 anos de idade recebeu um duro golpe, o falecimento de sua mãe ao dar à luz a uma menina que morreu antes de nascer. Três anos mais tarde faleceu o seu irmão Edmund, com 26 anos, e em 1941 morre o seu pai.Em 1938 foi admitido na Universidade Jagieloniana, onde estudou poesia e drama. Durante a II Guerra Mundial (1939- 1945) esteve numa mina em Zakrzowek, trabalhou na fábrica Solvay e manteve uma intensa actividade ligada ao teatro, antes de começar clandestinamente o curso de seminarista. Durante estes anos teve que viver oculto, junto com outros seminaristas, que foram acolhidos pelo Cardeal de Cracóvia.Segundo relata o actual Pontífice, estas experiências ajudaram-no a conhecer de perto o cansaço físico, assim como a simplicidade, a sensatez e o fervor religioso dos trabalhadores e pobres.As marcas no seu corpo começam a aparecer quando em Fevereiro de 1944 é atropelado por um camião alemão e é hospitalizado.Ordenado sacerdote em 1946, vai completar o curso universitário no Instituto Angelicum de Roma e doutora- se em teologia na Universidade Católica de Lublin, onde foi professor de ética.A forma filosófica, que integrava os métodos e perspectivas de fenomenologia na filosofia Tomistica, de gerir as questões que se lhe apresentavam no dia a dia, estão relacionadas com a sua "devoção" ao pensador Alemão Mas Scheler.No dia 23 de Setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar do administrador apostólico de Cracóvia, D. Baziak, convertendo-se no membro mais jovem do episcopado polaco. Participou no Concílio Vaticano II, onde colaborou activamente, de maneira especial, nas comissões responsáveis na elaboração da Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Constituição conciliar Gaudium et Spes. Durante estes anos o então Bispo Wojtyla combinava a produção teológica com um intenso labor apostólico, especialmente com os jovens, com os quais compartilhava tantos momentos de reflexão e oração como espaços de distracção e aventura ao ar livre.No dia 13 de Janeiro de 1964 faleceu D. Baziak e Wojtyla sucedeu-lhe na sede de Cracóvia como titular. Dois anos depois, o Papa Paulo VI converte Cracóvia em Arquidiocese. Durante este período como Arcebispo, o futuro Papa caracterizou-se pela integração dos leigos nas tarefas pastorais, pela promoção do apostolado juvenil e vocacional, pela construção de templos apesar da forte oposição do regime comunista, pela promoção humana e formação religiosa dos operários e também pelo estímulo ao pensamento e publicações católicas. Representou igualmente a Polónia em cinco sínodos internacionais de bispos entre 1967 e 1977.Em Maio de 1967, aos 47 anos, o Arcebispo Wojtyla foi criado Cardeal pelo Papa Paulo VI. Em 1978 morre o Papa Paulo VI, e é eleito como novo Papa o Cardeal Albino Luciani de 65 anos que tomou o nome de João Paulo I. O "Papa do Sorriso", entretanto, falece 33 dias após a sua nomeação e no dia 15 de Outubro de 1978, o Cardeal Karol Wojtyla é eleito como novo Papa, o primeiro papa não-italiano desde 1522, ano da eleição do holandês Adriano VI. Tendo-se formado num contexto diferente dos Papas anteriores, João Paulo II viria a imprimir na Igreja um novo dinamismo, impondo ao mesmo tempo um maior rigor teológico e disciplinar.Homem de luta num mundo em mudançaO Papa que veio do Leste recebeu uma Igreja cujo governo atravessava uma certa crise, presa na tensão entre os avanços do Concílio e a perda de identidade perante a modernidade. Desde o início, João Paulo II pediu “não tenhais medo” e fala na primeira pessoa do singular em vez do plural: esta afirmação de identidade vem acompanhada de uma experiência histórica notável, atravessando guerras mundiais e a vivência sob um regime comunista, que fala ao coração de milhões de pessoas.A enorme produção doutrinal do Papa (ver números) deve, pois, ser lida à luz da necessidade de dar respostas pastorais a um mundo em mudança. João Paulo II sempre foi capaz de definir etapas mobilizadoras da Igreja e do mundo, na busca de uma identidade forte – visível na devoção mariana e na formulação de um todo doutrinal – que fosse capaz de sustentar o diálogo com outras confissões religiões.A sensibilidade para as implicações na sociedade da acção da Igreja não inviabilizou que o Pontificado tivesse dado prioridade à acção pastoral, mesmo sem secundarizar a política. A ideia, explícita logo desde a primeira encíclica, é recentrar a mensagem cristã em Jesus, que revela ao homem o seu destino e a sua dignidade.A “Redemptor Hominis” de João Paulo II revela-o atento à necessidade não só do diálogo ecuménico com todas as Igrejas cristãs, mas também com todas as religiões. Neste Pontificado há uma grande novidade: o Papa sabe que o mundo não se tornará completamente cristão ou católico, sabe que é necessário viver com os demais, sejam judeus, muçulmanos ou ateus, e isto é radicalmente novo na concepção da Igreja.Esta novidade representa um ponto fundamental deste Pontificado, a consciência de que a experiência católica tem de conviver com outras, e é pela qualidade desse convívio que ela pode evangelizar.Muitos falam de um “Papa político”, alguém que lutou abertamente contra os regimes comunistas de Leste desde a sua primeira viagem à Polónia em 1979 e contra o capitalismo reinante na sociedade ocidental. A Igreja é desafiada a resistir, anunciar e mudar: os apelos do Papa em favor do Terceiro Mundo percebem melhor à luz destas premissas.As profundas transformações ocorridas na Europa no final do segundo milénio e no início do terceiro têm em João Paulo II um dos principais protagonistas. No começo do pontificado de João Paulo II, a Europa, pelo Tratado de IALTA, continuava dividida em dois blocos por motivos ideológicos e geopolíticos. Começava a surgir, à época, o Sindicado Solidariedade, que ameaçava provocar instabilidade não só no interior da Polónia mas também em outros países do Leste Europeu. O Papa apoiou e estimulou a chamada “Ostpolitik”, conduzida pelo seu Secretário de Estado, o Cardeal Agostinho Casaroli, e continuada pelo seu sucessor, o Cardeal Angelo Sodano. O processo culminou, no período do Presidente Gorbachev, em marco de 1990, com o restabelecimento das relações oficiais entre o Vaticano e a ex-União Soviética. João Paulo II é um ardoroso defensor da “Grande Europa”, que se estende do Atlântico aos Urais. A “Grande Europa”, segundo ele, deve respirar com os dois pulmões, alimentar-se com a riqueza das duas tradições: a cristã-ocidental e a eslavo-ortodoxa.Com o final da guerra fria, os medos da humanidade viram-se hoje para a guerra das civilizações, confrontos com motivações religiosas entre o mundo árabe e o Ocidente. O papel de João Paulo II, mesmo aos 83 anos, voltou a ser fundamental. A campanha contra a guerra no Iraque é o acto que simbolicamente congrega as iniciativas e apelos de paz de João Paulo II ao longo dos últimos 26 anos, nascidos da convicção de que o respeito pelos direitos humanos é o único caminho para os povos.Menos unânimes, mas igualmente firmes, foram as posições do Papa sobre os temas do matrimónio, da família, da defesa da vida desde a sua concepção até ao momento da morte natural ou da moral sexual. Essa acção, mesmo se contestada, apresenta João Paulo II como uma consciência crítica, em referência constante ao Evangelho.
,No dia 2 de Abril de 2005, o último gigante do nosso tempo morreu no Vaticano.